terça-feira, 26 de maio de 2015

Rumo a Kathmandu

A foto:


Depois de um dia vivido de forma intensa em Varanasi, corremos debaixo de chuva torrencial para a estação de comboios no primeiro tuk tuk que encontrámos. Íamos apanhar o comboio noturno (cerca de 16horas) para Gorakhpur, uma cidade do Utar Pradesh, relativamente perto da fronteira do Nepal. 
A aventura rumo a Kathmandhu ia começar!

Entrar numa estação de comboios na Índia será sempre uma aventura. As pessoas amontoam-se por todo o lado e há sempre qualquer coisa a acontecer! Munidos de bilhetes previamente comprados online no site puzzle :) dos comboios da India, tentamos perceber qual seria o nosso comboio falando com os vários senhores dos guichets.
Mandaram-nos aguardar no meio da plataforma. Assim o fizémos. Éramos os unicos estrangeiros por ali,


Entretanto vimos uns plásticos a serem vendidos a 10 rs que não eram mais que rótulos de garrafas de água antes de serem utilizados para embalar as mesmas e que as pessoas usavam para s sentarem no chão.
Comprámos 1. óbvio! Na Índia, sê Indiano :)



(até nas plataformas há vacas..)


Enquanto aguardávamos, à nossa volta estavam imensas famílias indianas igualmente à espera do comboio. Sendo os únicos estrangeiros, nós os 3 éramos alvo dos olhares curiosos e indiscretos de quase toda a gente. 
Ao nosso lado, uma familia com uma criança pequena começou a empurrar o bebé para junto de nós. Tiraram fotos, e depois fizeram sinal para que ficássemos com a criança junto a nós. Com que finalidade não percebemos bem, mas devolvemos o bebé já agarrado a um pacote de bolachas que leváramos.





Depois desta interação. e da família ainda ter tentado que levássemos a criança connosco para a carruagem, fomos à procura do nosso lugar (tarefa muito difícil!)
Como era uma noite inteira, e não sabíamos bem o que nos esperava, ficámos em primeira classe.
Quando chegámos à nossa cabine, uma das camas já estava ocupada por um indiano, que só queria que nos apressássemos e fechássemos a porta com cadeado! 


Limpámos os colchões com Dodots (que finos!!) pois estavam completamente pretos..e deitámo-nos dentro dos nossos lençóis-cama nos nossos beliches, utilizando as almofadas e as mantinhas que tinhamos trazido da Lufthansa! 





( o meu vizinho de beliche)


As janelas abertas eram o nosso ar condicionado! De tal forma que quando acordámos estávamos cobertos de fuligem..Eu dormi que nem uma pedra, especialmente depois do dia que tínhamos tido. Mas no andar de baixo, a Xana e o Conim lutaram contra um ataque de pulgas fulminante...que não os largou a noite toda. 

De manhã quando acordámos fomos dar uma volta pela Sleepers class onde se amontoavam as familias que tinhamos visto na noite antes. Na próxima vez, vamos em sleepers!

A casa-de banho ao fundo do corredor, não era mais que um buraco diretamente para a linha do comboio.



A primeira etapa rumo a Kathmandhu estava concluída! Mas ainda não sabíamos o que estava para vir..







Estes dias são tão cheios de dias dentro deles e tantas coisas novas, que só a escrever estas linhas e passados dois anos consigo de facto saborear os pequenos momentos e sorrir. Não há dúvida que cada foto tem uma história.
E essa história faz a nossa vida.



sexta-feira, 22 de maio de 2015

Varanasi

Varanasi é grande, Varanasi é confusa, é intensa. Tem um cheiro que se toca, um barulho que se entranha.
Sobre Varanasi muito hei-de escrever aqui porque as histórias amontoam-se...
De todos os sitios por onde passei, este foi sem dúvida o mais fascinante, aquele que mais se agarrou.

Varanasi entra e nunca mais sai. E disto tenho a certeza. Varanasi embebe-se em nós. Not for the faint of heart...

A foto: 




Depois de um dia intenso a passear de tuk tuk, alugámos um barquinho para ir ver as cerimónias junto ao Ganges ao anoitecer
O barqueiro não era mais do que um miúdo de 10 anos que já tinha mais vida marcada no corpo do que qualquer um de nós... 
A noite ja estava a ficar cerrada e os barcos iguais aos nossos cada vez eram mais, formando um amontoado de gente dentro do rio.


Em terra começavam a ouvir-se os tambores e as preces hindus. Os rituais iniciaram-se com muitas pessoas à volta, vidradas nas cores e nos brahims semi nus que ondulavam no cimo das escadas (Ghats).

Tinhamos comprado velas que fomos lançando ao Ganges à medida que a cerimónia continuava e os tambores marcavam o ritmo.




Centenas de pessoas em terra e no rio, formando uma plateia densa e atenta (uns mais que outros :) )




De repente, o céu começou a cair sobre as nossas cabeças...primeiro sob a forma de uma chuva miudinha e depois sob a forma de enxurrada e relampagos que rasgavam o céu.
Com tantas pessoas à volta, o pânico generalizou-se com toda a gente a tentar fugir (não percebo esta questão da chuva, que parece que caem canivetes e temos que correr!)
O nosso menino-barqueiro começou a remar chocando com todos os barcos a volta.

Depressa percebemos esta debandada..a chuva era tanta que se acumulava no barquito!
Não conseguimos chega ao "porto" pois so com 2 remos e água a entrar, não chegaríamos longe e tivemos que sair a meio do percurso.



Assim que tocamos terra e debaixo de chuva torrencial, corremos para um telheiro onde estavam mais umas dezenas de indianos abrigados. 

E vacas. Várias Vacas. 

As luzes da cidade apagaram-se e não se via um palmo. Só sentiamos o cheiro ...e ouviamos a chuva.

Aliás, so descobrimos as vacas porque entre empurrões chocámos com uma...
Assim ficámos debaixo daquele telheiro, na margem do Ganges entre vários indianos e animais. 
A água escorria rumo ao rio, salpicando nos até aos tornozelos.
Quando abrandou, começámos a correr pelas ruas escuras e sujas, sentindo a bosta de vaca que entretanto se transformara em lama e na qual estavamos constantemente a escorregar..
O cheiro era nauseabundo e as vacas e as pessoas misturavam-se correndo que nem loucos em todas as direcções!
Ensopados até aos ossos, la distinguimos o nosso tuk tuk no meio da multidão à espera. Saltámos quase em andamento e percorremos as ruas sempre com o coração nas mãos à espera de passar por cima de qualquer indiano.

Chegámos ao hostel e apressamo-nos...afinal tinhamos um night train para apanhar rumo ao Nepal.
A aventura ainda não acabara aqui.








sexta-feira, 15 de maio de 2015

...and The Girl Who Travels ... is back :)

Depois de meses (anos??!) sem mexer neste blog...e com tanta história nova e velha para contar, risos, lágrimas, passos em frente, passos atrás,..aventuras e desventuras... Amigos novos, amigos velhos, amigos de passagem...Everests, kingfishers, Changs, Singhas, Bintangs, Myanmar beer, Tigers, Saigons beer,
tuk tuk's, barcos, comboios, aviões, taxis, elefantes...cães, gatos, budas, templos...

que tal ligar as memórias ao desfibrilhador e soltar as fotos?

Até ja!


North India














Bombaim






Myanmar




USA

Belize













Nepal














USA