segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Merrel!

Wanna pack your bags, Something small
Take what you need and we disappear
Without a trace we'll be gone, gone
The moon and the stars can follow the car
and then when we get to the ocean
We gonna take a boat to the end of the world
All the way to the end of the world


You and me, Dave Matthews Band



A(s) foto(s):

Os meu companheiros de viagem. Os meus fiéis amigos. Até hoje, nunca me desapontaram...já fizeram kms e kms sem nunca se queixarem...levo-os para todo o lado e entre estar apertados no último bolso da mochila, até estarem pendurados pelos atacadores, eles sempre lá estiveram...são os meus Merrel! Provavelmente a minha melhor compra até hoje!! :) se eles podem dizer o mesmo? hmmm.....d-u-v-i-d-o :)!


Thai/Burma Border



 



North of Thailand
(shoes not allowed)



South of Laos - Phou Asa (on an elephant!)


Kruger park, South Africa



Taman Negara Jungle - Malaysia
  



Laos, Down the Mekong

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Hoje sou eu!

Hoje não tenho nenhuma história, a não ser a minha....Vou dar uma de egocêntrica e narcisista e falar de mim..
Faz hoje 2 anos que cumpri um dos meus maiores "sonhos"....o de largar tudo e partir sem destino...e sem data de regresso....

Aqui deixo várias fotos de mim, em alguns dos países por onde passei...algumas situações. Hoje sou EU :)

Se tenho saudades?....Muitas!
Saudades de pegar na mochila e partir...

Saudades do tempo ter o seu tempo...
de a decisão de ir para a esquerda ou para a direita resume-se apenas e só à decisão de ir para a esquerda ou para a direita...

Apesar de esta viagem ter sido uma das mais fantásticas, muitas outras já se concretizaram e muitas mais estão para vir...

As histórias que tenho são mais que muitas...todas guardadas algures nesta minha memória...
..as recordações, os cheiros, os sentimentos...
...os momentos felizes e os menos felizes...os medos, as hesitações...os sorrisos, as gargalhadas..



Estação de comboios, Índia



Nong Kiaw, Laos


Pakbeng, Rio Mekong, Laos



Thai/Burma Border

Vang Vieng, Laos


Angkor Wat, Cambodia


Mae Sariang, Thailand


Ferry Indonesia


Invercargill, Nova Zelândia

 Catlins, Nova Zelândia


Jerantut, Malaysia

Paksong, Laos


Adoro viajar.

E tenho quase a certeza que dificilmente hei-de "regressar".

Porque...Há viagens das quais nunca se regressa...

E eu acho que fiquei perdida algures....


.........*

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Biggins - Bali

Às vezes, há dias assim-assim...

...dias assim-assim em que pego na caixa de fósforos e meto-me lá dentro para não apanhar chuva..


A foto: Biggins, Bali, Indonésia



Bingins é um sitio perdido no Sul de Bali....nem me lembro bem de como lá fui parar...sei que depois de nos deixarem numa praia bem longe, (mais um taxista caloteiro...) fizémos vários kms a pé, ao sol, de mochila às costas até chegar ao cimo de um monte...
Lá em baixo estariam os bungalows....junto à praia!
Lá em baixo...



Centenas de escadas labirintícas depois, lá chegámos à areia, que quase não existia...Escolhemos um bungalow dos mil que ali existem...bem catita por sinal!

A vista do bungalow era lindíssíma...mas tudo o que desce .....sobe...

E a subida para sair de Biggins no dia a seguir, foi provavelmente a mais penosa de sempre....degraus que se multiplicavam a cada passada...o calor intenso... e a mochila mais pesada do que o suposto

Já só sonhava com um mergulho! Mas o dia estava ainda a começar.. :)



Chegados ao topo da "montanha", e à estrada, procurámos um meio de transporte que nos tirasse daquele sítio..
Tal como nós, muitos já devem ter feito o mesmo...pelo que encontrámos esta placa logo ali escarrapachada..."no Taxi!"



...a localidade mais próxima estava a 7kms...e o transporte local, segundo nos disseram umas senhoras sentadas à beira da estrada, tinha sido utilizado por uma familia para irem a um casamento...

Só tínhamos 2 hipóteses: Ou íamos a pé, ou descíamos de novo as escadas!! :)

Nenhuma delas era...satisfatória! Os 30 e muitos graus que se faziam sentir foram um factor decisivo....
Assim, fomos falar com as tais senhoras e começámos uma árdua negociação para nos levarem até ao próximo local.


Por um preço absurdo, lá me vi sentada numa acelera agarrada a um adolescente borbulhento de 15 anos que mais parecia o boneco da Michelin, a caminho da próxima localidade...claramente a uma velocidade excessiva para tanto peso!!! Ele ia a sorrir. A mãe dele ia na mota ao lado, igualmente sorridente! Tenho a noção que pagámos pelo transporte o equivalente a um mês de salário de algum deles!

Vários ataques de coração depois, chegámos vivos a Uluwatu!

E acham que o dia acabou aí? Claro que não....

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Jaco - Costa Rica

A vida é feita de escolhas...se imaginarmos uma escolha como um ponto de inflexão, e o resultado dessa inflexão for um salto em qualquer direcção, fico com a sensação de que não sou mais do que uma daquelas bolinhas de borracha saltitonas que gosto de atirar contra a parede e ficar a vê-la a saltitar....saltitar...saltitar....saltitar....


A foto:

Jaco, Costa Rica, Janeiro 2007





A Costa Rica é um paraíso!
Depois da densa selva, chegámos com alguma emoção às costa do Pacífico! Jaco é o nome daquela praia...ampla e de cortar a respiração.
Ali estava o Pacífico, pela primeira vez.


Estacionámos o Jipe, alugado, nas dunas e corremos para o mar. Estava calor e o pôr do Sol, mais uma vez, lindíssimo.


Depois de nos deleitarmos naquelas águas, corremos para o jipe, para apanhar uns trocos e ir beber umas "imperiais".
Mais uma vez a minha desorganização fez com que eu não encontrasse os ditos trocos e trouxesse a mini mala que tinha tudo o que era importante...cartões de crédito e passaportes!



Bebemos cervejas até não poder mais apreciando a noite que ia caindo. O ambiente era quente e na pele ainda tínhamos o sal do mar..
Embebidos nesta atmosfera, dirigimo-nos ao jipe, ainda estacionado nas dunas, para ir procurar um sítio onde ficar a dormir...








Qual não foi o meu espanto quando abri o porta bagagens e num tom meio incrédulo/meio assustado disse...
"Ahh...não estão cá as mochilas...!"
 Resposta: "ah sim sim...pois pois...vai gozar com outro..."
Eu: - "é verdade"...


Pois é...se em Portugal, não deixo o carro estacionado na praia, porque raio o haveria deixar na Costa Rica??
Roubaram T-U-D-O!...
Agradeci a minha desorganização e falta de paciencia que me fez trazer os bens que nos iam permitir continuar a usufruir a viagem....!

Com a roupa do corpo dirigimo-nos ao supermercado mais próximo e comprámos o essencial para nos mantermos limpinhos! Passámos a viajar com um saco plástico do Xmarket... Fomos à esquadra mais próxima onde 2 polícias, de bigode, refastelados nas suas cadeiras nos ouviram impávidos e serenos a relatar o sucedido, emitindo, uma única frase após o nosso discurso...
"Estamos cerrados..." :)


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Ah pois, as esquadras fecham às 20h...o que não impede que não oiçam estrangeiros aflitos! Será uma estranha forma de psicologia?

Percebemos que teríamos que ir a San José (capital) para relatar o roubo pois queríamos ser compensados pelo seguro...150kms depois e já a altas horas da noite chegámos a San José...
No hostel onde ficámos, ainda se riram quando viram que a nossa única bagagem era um saco plástico...
Ajudaram-nos prontamente... Encaminharam-nos para uma esquadra de polícia num bairro dos subúrbios, no carro do primo de alguém..pois "seria muito perigoso estrangeiros irem a estes sítios a estas horas.."
Mas também já quase não tínhamos nada para roubar!



Chegámos ao Barrio México..pejado de prostitutas na rua e gangs pelos cantos...entrámos na esquadra com mil olhos em cima de nós...e eu a distribuir sorrisos :) só para amenizar o ambiente!

A atmosfera lá dentro era de cortar à faca...dois polícias, com o mesmo bigode, ouviram-nos, com a mesma serenidade...a resposta foi..
"não podemos ajudar...vão ao tribunal.."...em espanhol!

Pois é...em San José há um tribunal aberto 24 horas para reportar delitos. Às 3 da manhã lá fomos, no mesmo carro de alguém, até ao tribunal. Completamente revistados à entrada por um polícia meio a dormir, seguimos para uma sala com várias secretárias e algumas pessoas atrás delas...


Fomos atendidos por uma rapariga, muito fresca para a hora que decorria... Ouviu-nos, e escreveu o relatório..enquanto mandava compulsivamente sms para alguém que aquela hora também estava acordado.. Sorrisos e pequenas gargalhadas de cada vez que um sms chegava...telefonemas furtivos com olhar lânguido....
Bem!....2 horas depois, saímos do tribunal em direcção ao hostel onde finalmente dormimos...

No outro dia, de saco plástico na mão e com a mesma roupa no corpo, seguimos rumo à Costa Atlântica! Só poderia ser mais calma..


O que aprendi com isto? que se pode facilmente viajar só com um saco plástico! E que a desorganização até compensa!


Ate meias tive que comprar porque na escala em Newark estavam 0 graus!


terça-feira, 16 de novembro de 2010

Railay West

O coração é um sítio estranho....acho que tem bem mais do que 4 compartimentos... às vezes tenho a sensação que o meu coração tem milhões de gavetas...de diferentes tamanhos e cores.
Olhando para as gavetas onde tenho a minha roupa, eu diria que as do coração estão igualmente desarrumadas...em que as meias estão ao pé das cuecas e uma T-shirt ao pé dos cachecóis. Encontro ganchos no meio dos bikinis e papéis de contas de restaurantes junto das calças de ganga...

No entanto, lá vou encontrando tudo, com maior ou menor irritação. Praguejar contra a desarrumação não vale de nada...afinal, quem as desarrumou foi a minha falta de paciência de manter tudo ordenado...
Ou então.....sou mesmo assim.


A foto:

Krabi, Tailândia, Junho 2007



Neste dia resolvemos ir de Au Nang até Railay West...uma praia só acessível de LongTail Boat...um barco frágil e comprido, Thai Style..
Chovia ininterruptamente e não havia barco que nos quisesse levar...com uns franceses lá convencemos um Tailandês a levar-nos...e a viagem foi atribulada e...molhada!

Parámos ao largo de uma praia que mal se via... e eis que o condutor nos manda sair...
"Mas estamos longe da praia..."...dissémos...

Ele parecia irredutível e tivémos que saltar para a água...que nos dava pela cintura...
Chovia torrencialmente e tivémos que levar as mochilas, a esta hora já completamente ensopadas.

Chegados à praia, conseguimos vislumbrar um bungalow..."um abrigo!" pensámos.

Corremos para o alpendre e lá nos abrigámos! Pousámos as mochilas e os franceses começaram a despir-se (?!) e a correr para a água...
Fizémos o mesmo! Afinal a água da chuva era quente, a água do mar também e deviam estar mais de 30 graus...:)

Estivémos na água até percebermos que vários policias nos acenavam da praia....

Saímos da água e depressa ficámos a perceber que o nosso "abrigo" não era mais do que um dos resorts mais caros da zona...expulsaram-nos dali, semi-despidos e à chuva....
....quando apanhámos a mochila, pudémos ver à janela, um casal de japoneses, incrédulos, a olhar para nós...parece-me que deviam estar em lua-de-mel...
Ainda nos rimos ao pensar no que eles devem ter pensado ao ver 4 selvagens vindos de um barco a despirem-se na varanda e a correr para o mar num dia em que chovia torrencialmente... :)
Sem destino, avançámos todos pela praia...encharcados...do banho de mar e da chuva que caía sem descanso...

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

De comboio até ao Camboja

"Eu não tenho necessidade de ti.
E tu não tens necessidade de mim.
Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro.
Serás para mim único no mundo.
E serei para ti única no mundo.
Tu tornas-te eternamente responsável por aquilo que cativas"

Saint-Exupéry



A foto:


Esta foto foi tirada na minha primeira viagem à Ásia em 2006. Apanhei um comboio em Bangkok que me levaria até bem perto da fronteira com o Camboja.
Creio que a viagem começou às 5 da manhã e demorou cerca de 8 horas até um sítio onde haveria de apanhar um tuk-tuk que me levaria até à fronteira.
Daí seria apanhar um táxi partilhado ou um autocarro. Acabou por ser um taxi partilhado entre backpackers numa viagem alucinante em estradas de lama até Siem reap, a cidade de Angkor Wat.




Viajar num comboio noutro país é uma experiência sempre enriquecedora...seja porque estão na carruagem mais pessoas do que seria admissível, seja porque se fala com os locais, seja pelo catering improvisado com o cheiro a caril e óleo queimado...


Nesta viagem tive um pouco de tudo...desde uma enchente de estudantes fardados que se sentaram mesmo em frente a mim e que queriam saber tudo e treinar inglês, até aos camponeses que olhavam com olhar curioso...até à criança que saltou para o meu colo como nele se sentisse confortável.

São pessoas simples.
Vivem a vida dia-a-dia...Olham no vazio como se esperassem desse vazio qualquer coisa.
São pessoas que estão em paz de alguma forma.. 
Não sei o que esperam da vida, ou se esperam alguma coisa.... 

Demoro-me a observá-las...gosto de ver os seus hábitos, tentar ler os seus olhos e pensar "Mas para onde será que vão? O que vieram aqui fazer? São felizes?
Têm uma casa num prédio, uma barraca? É assim que gostam de se vestir? O que vão fazer quando chegarem?".
São pessoas que sorriem. Que têm uma expressão dura e ao mesmo tempo...doce.
Sorriem muito.
E creio que o fazem mesmo quando não têm razão para tal.
É um "olá, tudo bem?" silencioso.


Viajar num comboio é por a cara de fora e sentir o cheiro do ar.
É tentar ver quem espreita das outras janelas.
É ver que o calor é abafado lá fora e nem o vento o suaviza.

Viajar de comboio é entrar na vida das pessoas sem pedir a sua autorização.
Viajar de comboio é viajar no tempo. No tempo que passa.
Viajar de comboio é ver a vida a passar pelas janelas e a ficar para trás a grande velocidade.


E eu?.....Eu gosto desta mania parva de viajar de costas.